Conheça um pouco mais da história do jornal The Guardian e como ele se tornou um dos melhores do mundo (1 de 2)

Antes de começar a falar sobre esse assunto, quero deixar claro que essa classificação do periódico The Guardian como um dos melhores jornais do mundo não é ideia minha.

O jornalista Matias Molina, que lançou recentemente um livro onde ele conta a história de 17 dos melhores jornais do mundo, cita o Guardian como parte dessa lista de publicações dignas de nota. Ele trabalhou por 5 anos em Londres como correspondente do diário brasileiro Gazeta Mercantil.

Esses cinco anos em Londres lhe deram a condição privilegiada para ampliar sua busca sobre o que acontecia com os jornais do mundo. Trabalhou também em publicações como o jornal Folha de S. Paulo. Criou, em 1967, a revista Exame e é, atualmente, segundo a atual diretora da publicação Valor Econômico, Vera Brandimarte, o melhor editor de jornal econômico do Brasil.

Além disso, segundo a Associação Mundial de Jornais (WAN, em inglês), uma das principais instituições dedicadas ao mercado de jornais, o jornal inglês The Guardian é considerado um dos 10 jornais mais bem desenhados do mundo.

Esse periódico tem uma história de tradição e de desafios que vão além da esfera jornalística. Foi fundado em maio de 1821 como um jornal provincial na cidade de Manchester, no norte da Inglaterra. Atualmente é um periódico “de qualidade”, com abrangência nacional e prestígio internacional.

Editado pelo Guardian Media Group, de propriedade da fundação Scott Trust, o Guardian é uma publicação sem fins lucrativos que busca apenas assegurar sua independência financeira e editorial. Com venda média atual pouco acima de 350 mil exemplares diários, The Guardian não circula aos domingos, sendo substituído por outra publicação chamada The Observer que pertence ao mesmo grupo. Ambas publicações atualmente perdem dinheiro, mas são mantidos pelo elevado retorno de outros negócios do grupo e devido ao seu elevado prestígio dentro e fora do Reino Unido.

Na ocasião de seu lançamento, com o nome de The Manchester Guardian, o jornal era semanal e circulava aos sábados. Essa restrição devia-se ao fato de que, “na época, Londres era a única cidade inglesa cuja população podia manter jornais diários, devido ao elevado preço do exemplar decorrente da carga tributária”, segundo o jornalista Mathias Molina.

A carga tributária na época foi um dos principais fatores que afetou o formato e o design dos jornais. “Cada exemplar vendido pagava : o imposto do selo (4 pences no caso do Guardian), que permitia enviar o jornal pelo correio; um imposto fixo de 3 xelins e 6 pences (42 pences ou 90 centavos de dólar por anúncio de qualquer tamanho; e 3 pences (6 centavos de dólar) por libra (454 gramas) de papel”.

O imposto do selo, diferente dos demais, era cobrado por cada folha de quatro páginas independente do tamanho. Um jornal com dimensões menores pagaria o mesmo imposto de outro com páginas maiores, sendo que com uma disponibilidade de espaço menor para notícias e anúncios. Essa parece ser uma das principais razões para que os jornais do século XIX continuassem aumentando o tamanho de suas páginas.

Nessa época o Manchester Guardian era publicado com apenas 4 páginas (uma folha impressa frente e verso e dobrada ao meio), impressas apenas na cidade de Manchester em prelo manual, totalmente preto e branco, com capacidade de 150 cópias por hora. Para efeito de comparação, uma das impressoras rotativa off-set atuais do Guardian pode rodar até de 300.000 (trezentas mil) cópias com cerca de 40 páginas totalmente coloridas no mesmo intervalo de tempo.

O imposto do selo foi abolido em 1855 e permitiu aos jornais reduzir o preço e aumentar sua periodicidade. Neste ano o Guardian passou a circular diariamente, sendo vendido por 2 pences.

Continua nesse post.

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