A importância de uma ética do design

O filósofo Vilém Flusser considerava o designer como peça fundamental para um mundo melhor e mais justo. Ele acreditava que se os designers pensarem seus projetos de forma ética, o mundo será um lugar melhor para se viver.

Flusser defendia que o designer deve encarar sua atividade com maior responsabilidade para que, dessa forma, a sociedade não caia numa situação onde ninguém responde mais pelos seus respectivos atos. E oferece pelo menos três razões para explicar seu raciocínio.
A primeira é que as instituições que costumavam estabelecer normas para esse tipo de questão não têm mais a mesma autoridade de antes, principalmente sobre a produção industrial. Apenas a ciência permanece mais ou menos intacta.
As autoridades religiosas, políticas e morais têm cada vez menos credibilidade, muito incentivadas pela destruição do espaço público como o conhecíamos provocado pela revolução das comunicações. Se antes estas instituições ofereciam padrões de conduta a serem seguidos pelas pessoas, hoje não têm mais a mesma autoridade para fazê-lo.
A produção industrial, e consequentemente o design, evoluiu de forma a se tornar uma rede complexa que serve de informações a diversas áreas. A quantidade de informações disponíveis supera muito a capacidade individual de memória. Isso torna o processo mais coletivo, ou seja, mais difícil de identificar um único responsável por ele.
Antigamente o usuário era considerado, tacitamente, o único responsável pelo mal uso daquele objeto. Atualmente muitos desses objetos não necessitam de interface humana para serem operados. Como tornar robôs responsáveis pelo uso dos produtos? E quem seria o responsável por esse robô: aquele que o criou ou quem instalou seu programa
Precisamos ser capazes de buscar um caminho que nos aproxime da solução dos problemas éticos do design. O fato de estarmos fazendo essas perguntas, segundo o filósofo, é motivo de esperança.
Fonte: CARDOSO, R. O Mundo Codificado: por uma filosofia do design e da comunicação. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

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