O papel do impresso: uma reflexão sobre os jornais brasileiros

Independente da crença de se o jornal impresso tem vida longa ou não, este ainda é – e seguirá sendo por algum tempo – a principal fonte de receitas e de relevância dos jornais, principalmente no Brasil. É por isso que muitas empresas seguem apostando em suas publicações impressas e ainda buscam inovar desenvolvendo soluções diferenciadas para leitores e anunciantes.

Exemplos que ilustrem esses investimentos no impresso não faltam, mesmo em mercados mais maduros como a Europa. O grupo europeu De Persgroep, que publica quatro dos maiores jornais da Holanda, investiu recentemente em equipamentos de expedição para tornar seu processo produtivo mais eficiente, como registrou o site da publicação Editor&Publisher.

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O jornalista Nelson de Sá publicou em novembro de 2012 um artigo sobre a “guerra” entre os jornais Correio e A Tarde que tem tomado conta da capital da Bahia. Há quatro anos a soma da circulação dos jornais em Salvador não chegava à circulação do Jornal do Commercio, em Recife. No final de 2011, depois de diversas mudanças organizacionais e no seu produto impresso, o Correio já havia se tornado o maior jornal em circulação do Nordeste.

Cito também nossa experiência com O Globo, com investimento de dezenas de milhões de Reais na expansão das rotativas e no novo projeto gráfico.

Um exemplo de que a dificuldade dos jornais não é simplesmente a perda de relevância do impresso vem dos EUA, um dos países que está sendo mais afetado por esse momento de transição. O jornal The Daily, exclusivo para iPad, lançado no início de 2011 pela News Corp. em parceria com a própria Apple, encerrou suas operações no final de 2012 pois não conseguiu alcançar os resultados esperados.

Outro problema é que ninguém conseguiu (ainda) reproduzir o bem sucedido modelo de negócio do jornal impresso no mundo digital. Um artigo publicado pelo site TheAtlantic.com mostra que para cada vinte dólares de publicidade que deixa de entrar nos jornais impressos americanos apenas um dólar retorna em forma de anúncio em suas publicações digitais.

Portanto, enquanto não soubermos qual é o modelo de negócios que fará sucesso no mundo digital – o que ainda deve demorar bastante -, não podemos deixar de lado todo o potencial de inovação que ainda existe no mundo analógico.

Soma-se a isso uma crença de que as atividades diretamente relacionadas à mídia impressa têm atributos que podem ser mais bem explorados pelas empresas jornalísticas, como a busca constante pela eficiência em seus processos e a melhoria da qualidade percebida pelo cliente em relação aos produtos impressos.

Foi nesse sentido que começou-se a pensar sobre como a ANJ, por seu Comitê de Tecnologia e Operações (COMTEC), poderia ajudar no fortalecimento do mercado de jornais brasileiro. Daí surgiu a ideia de propor referências operacionais que pudessem manter a competitividade desse mercado.

A ideia por trás desse trabalho é ajudar os jornais na tomada de decisões que possam ter impacto positivo em suas operações impressas, no curto e no longo prazo.

De forma resumida, a missão do COMTEC para os próximos meses será montar um guia de boas práticas diretamente relacionadas aos processos de impressão e de distribuição dos jornais, com base em quatro competências consideradas chave: a qualidade percebida pelo cliente, a busca constante por eficiência operacional, a gestão de pessoas e a eficácia ambiental.

O desenvolvimento desses quatro atributos nos processos de impressão e distribuição de jornais será relevante enquanto existir jornal impresso. Sabemos também que os desafios podem variar de acordo com o porte de cada jornal. Por isso, o principal desafio do COMTEC será conseguir desenvolver uma metodologia que considere desafios relevantes para todos os tamanhos de jornais.

Provavelmente as empresas jornalísticas não conseguirão ganhar o jogo apenas desenvolvendo essas competências, afinal faz-se necessário uma boa estratégia de mercado e manter-se relevante com conteúdo de qualidade. Porém, a possibilidade de conseguir manter bons resultados no mundo analógico aumenta significativamente se esses quatro atributos forem bem desenvolvidos por cada empresa, fazendo assim com que o mercado de jornais possa continuar se desenvolvimento de forma consistente e sustentável.

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