A situação dos jornais ao redor do mundo

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Recentemente aconteceu em Bancoc, na Tailândia, mais uma edição do congresso mundial de jornais, organizado pela Associação Mundial de Jornais (WAN-IFRA). É um dos maiores eventos do mundo sobre o tema e acontece uma vez ao ano, sempre num país diferente.

Nesse evento a WAN-IFRA apresenta seu relatório de tendências (World Press Trends) e esse ano não foi diferente. A principal notícia continua sendo a penetreção dos jornais na sociedade, com metade da população mundial lendo jornais (sendo mais de 2,5 bilhões lendo as versões impressas e pouco mais de 600 milhões, a digital). Esses jornais juntos geram uma receita superior a US$ 200 bilhões.

Verificou-se uma queda de quase 1% na circulação de jornais ao redor do mundo em 2012, puxada principalmente por mercados maduros como EUA e Europa, chegando a 522,8 milhões de cópias diárias. A queda não é maior pois está sendo compensada por mercados emergentes na Ásia e na América Latina. Mas mesmo com a queda de circulação, jornais europeus têm conseguido boas margens em função de uma política de preço mais agressiva para venda de assinaturas.

Já a queda nas receitas têm se mostrado bem mais acentuada do que na circulação, tendo caído 2% em 2012 contra 2011, e mais de 22% quando comparado com 2008. A maior parte dessa perda se concentra exclusivamente no mercado americano, que tem peso significativo nesse número e é onde as quedas têm se mostrado mais fortes, respondendo sozinho por 74% das perdas financeiras registradas nos últimos anos.

A WAN-IFRA estima que essa perda nos EUA esteja muito influenciada pelos classificados, grande fonte de receita no passado, mas que agora vê mais de 80% desse volume migrar para outras empresas na internet. Algumas dessas empresas online são de propriedade dos jornais, mas não entram nas estatísticas levantadas pela associação.

Outro dado curioso é o fato de que a maior parte do tempo das pessoas em consumo de mídia é dedicado a ler de jornais e ouvir rádios, gastando mais de 250 minutos diariamente nessas atividades. Televisão e revistas semanais são supreendentemente pouco relevantes, tendo juntas menos de 100 minutos médios por dia.

A cobrança por conteúdo digital segue crescendo com força e hoje já são mais de 40% dos jornais com algum modelo de cobrança, sendo que 33% restrigem acesso a conteúdo premium e 17% cobram para acessar qualquer conteúdo publicado. Artigo publicado pelo Canadian Journalism Project indica que os jornais canadenses estão bem avançados com cerca de 80% dos jornais pesquisados já tendo lançado algum tipo de cobrança por conteúdo, mais que o dobro da média mundial.

Por fim, o relatório divulgado mostra que a composição de receitas dos jornais vem mudando rapidamente, com queda acentuada da publicidade impressa sendo compensada em parte por circulação, publicidade online e ‘novas’ receitas.

Não há grandes surpresas nesse relatório, que mostra queda gradual mas consistente do impresso, um mercado ainda gigante e que luta bravamente para adiar a migração de leitores para o mundo digital através de inovações e busca sistemática por eficiência.

Fontes:

WAN-IFRA, World News Publishing Focus, jul-ago 2013, pág. 6-7.

BALUJA, Tamara. Paywalls are more prevalent in Canada than in U.S. and U.K. The Canadian Journalism Project. 16 ago 2013. Disponível em: http://j-source.ca/article/paywalls-are-more-prevalent-canada-us-and-uk. Acesso em: 25 ago 2013.

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