Fatos e percepções sobre o futuro do impresso

Nos últimos dias participei de alguns debates sobre a mídia impressa com diversos profissionais do mercado. Tive a oportunidade de ler também algumas matérias sobre esse assunto e abaixo comento algumas percepções sobre o tema.

Ainda existe muito mito sobre a mídia impressa e as pessoas acabam se debruçando pouco para estudar melhor o assunto. Por isso descrevo abaixo algumas percepções e também alguns fatos publicados mais recentemente.

O primeiro ponto, na verdade um insight surgido de uma conversa totalmente despretensiosa, é de que a leitura de livros em tablets em e-books nos remete a trabalho e não a lazer, diferente do que acontece com os livros impressos. Na conversa eu reclamava da dificuldade de manter uma disciplina quando lia livros em formato digital.

Minha percepção é de que consigo ser mais disciplinado lendo livros impressos. Foi quando meu interlocutor levantou essa possibilidade de que a leitura em telas, ao menos para a nossa geração, remete a trabalho e não a um momento de relaxamento e introspecção. Não conheço nenhum estudo que possa corroborar esse insight, mas achei bem interessante.

Outro ponto é o fato do livro digital ainda ser pouco expressivo, especialmente aqui no Brasil. Um representante de uma grande associação brasileira de editora de livros, e ele mesmo executivo de uma dessas empresas, mencionou que em sua editora os livros digitais representam apenas 3% do portfólio total do negócio.

Uma nota publicada pelo jornalista Lauro Jardim no site da Veja traz a informação de que em uma das maiores editoras brasileiras os livros digitais representam míseros 2%, bem em linha com a informação anterior.

Nos EUA, principal mercado da gigante dos e-books Amazon, o livro digital ainda não decolou totalmente. Um post publicado aqui no blog no início de maio mostra que a preferência ainda é pelo livro impresso. Outras pesquisas mostram também que adesão aos e-books já está desacelerando.

Mesmo entre jovens que vivem em outros países desenvolvidos, teoricamente com maior acesso a novas tecnologias, a preferência segue sendo pela mídia impressa. Estudo citado pela pesquisadora Adriana Barsotti em texto publicado em dezembro de 2013 no Globo A Mais mostra que 62% dos jovens ingleses entre 16 e 24 anos preferem ler livros impressos. A sensação tátil, o preço e a facilidade de troca entre amigos são algumas das principais razões para essa escolha.

Enfim, ainda há muita água para passar debaixo dessa ponte. Esse pessimismo exagerado acerca do futuro da mídia impressa é o principal inimigo desse mercado, e não os e-books ou tablets. Os impressos têm e continuarão tendo espaço no cotidiano das pessoas atendendo a diversas necessidades da sociedade sobre informação, cultura e lazer.

Um comentário sobre “Fatos e percepções sobre o futuro do impresso

  1. Eu também creio muito nessa questão da disciplina e da “sensação tátil” pois é o que acontece comigo.

    No meu caso percebo que a sensação tátil passa por uma questão de posse e propriedade. Por exemplo, se eu compro 10 livros eu tenho e vejo na estante, em cima da mesa ou na mesa de cabeceira 10 coisas de minha propriedade. Se esses 10 livros fossem virtuais provavelmente eu teria apenas 1 propriedade, no meu caso, um Kindle.

    Quantas pessoas será que tem essa mesma sensação?

    Não estou dizendo que não gosto do digital, mas sim que quando se diz respeito a livros eu gosto não apenas da sensação tátil mas também da visual. Gosto de olhar a estante e ver os livros que tenho e no mínimo relembrar os que gostei muito de ler e os que nem tanto.

    Talvez essa questão do digital X impresso esteja ligada à validade do objeto de leitura. Um livro tende a não ser tão perecível como uma revista semanal e menos ainda quando comparado a um jornal diário.

    Quem nunca leu mais de uma vez um livro ou apenas teve interesse ou necessidade de folhear algumas páginas? Creio que a quantidade de pessoas que guardam revistas ou jornais em casa para a eventual possibilidade de leitura futura seja pequena. Nesses casos o digital seria muito muito mais útil não apenas pela economia de espaço físico mas também pela falaciosas de busca do que se procura.

    Taí… será que já existe algum negócio do tipo: você compra o impresso, depois devolve/revende mas tem a possibilidade de acessar o digital a qualquer momento. Jornais e revistas já fazem isso (sem a parte do devolve/revende, pois são mais perecíveis), mas não conheço nenhuma livraria/editora que o faça. Alguém conhece?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s